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Destaques da revista

25/05/2015 15:06

HPV o vírus silencioso

Acompanhamento evita problemas futuros

HPV tem relação direta com o câncer de colo de útero e deve ser prevenido

Interligado diretamente com a saúde, o acompanhamento médico deve fazer

parte da rotina de pessoas de todas as idades, como forma de prevenir e

diagnosticar precocemente problemas que muitas vezes nem imaginamos ter.

Sim, algumas doenças, até mesmo as mais graves, podem ser assintomáticas

e não darem qualquer sinal de que estão perambulando pelo corpo.

O Papiloma Vírus Humano (HPV) tem esse caráter, podendo em alguns casos

até se manifesta na mulher, que por questões fisiológicas não consegue

perceber o problema sem a ajuda de um especialista.

Dados do Instituto

Nacional do Câncer (Inca) apontam que aproximadamente 291 milhões de

mulheres no mundo são portadoras do HPV, uma doença associada ao câncer

de colo de útero e anorretal.

A ginecologista Maria Cristina de Próspero explica que o vírus tem essa

associação, porém não quer dizer que todas as pessoas infectadas terão

câncer. São vários os tipos de HPV, sendo os subtipos 16 e 18 os mais

agressivos e com maior possibilidade de desenvolver algum tipo de câncer. O

Ministério da Saúde aponta que esses subtipos são responsáveis por cerca de

70% dos casos de câncer de colo do útero em todo mundo e os subtipos 6 e 11

por 90% das verrugas anogenitais. “Normalmente, as mulheres com câncer de

colo de útero, ou anorretal, tiveram HPV, mas nem todas que contraem o vírus

vão ter câncer”.

A transmissão do HPV ocorre, na maioria das vezes, durante relações sexuais.

Em menor índice, há também a transmissão vertical, de mãe para filho, durante

o parto. E ainda, o que é raro, por meio de compartilhamento de roupas,

toalhas, entre outros objetos de uso pessoal. Os sintomas mais conhecidos são

as verrugas que aparecem nas regiões genital ou anal. Nos homens, as lesões

são mais visíveis, pela própria constituição física. Nas mulheres, a identificação

é um pouco mais difícil.

A médica destaca que não há um período preciso de incubação do vírus, o que

pode ocorrer em poucos dias ou mesmo levar anos para se manifestar. A

situação é conhecida como assintomática e nesse período existe o risco de

contaminação de parceiros pela doença.

A comunicadora R.M.D., 36, diagnosticou o problema há 10 anos durante um

exame de rotina. Na época, era casada, já tinha dois filhos e chegou a pensar

em separar do marido, porque acreditava que estava sendo traída. “O médico

nunca me disse que ele havia me transmitido e explicou que poderia haver

outros tipos de contato que levasse a contaminação”.

Na ocasião, foi orientada a usar medicamentos e ter relações sexuais somente

com uso de preservativo. R. não conseguiu convencer o marido a fazer exames

para diagnosticar se também tinha o vírus e ele não aceitava usar preservativo.

“O HPV se manifestou duas vezes e nunca mais apareceu. Faço

acompanhamento médico. Desde então, para ver como está a situação e evitar

um câncer de colo de útero. Antes, fazia a cada seis meses, mas agora vou ao

medico uma vez por ano”.

Conforme Maria Cristina, a prevenção é sempre a melhor maneira de evitar dor

de cabeça e o uso de preservativo durante as relações sexuais é

indispensável. Outros cuidados importantes são a imunização (vacina), bons

hábitos de higiene e consulta regular ao médico.

Embora a redução do número de parceiros seja vista como importante, a

especialista destaca que muitas pacientes contraíram o HPV mesmo tendo

mantido relações somente com uma pessoa. O que reforça a importância do

uso do preservativo. “Às vezes a pessoa é contaminada na primeira relação,

porque o parceiro tinha a doença”, comenta a médica.

O sumiço da doença não garante que o vírus tenha desaparecido do

organismo. A médica afirma que muitas vezes o HPV fica indetectável nos

exames, mas pode reaparecer diante de uma queda de imunidade, por

exemplo.

O acompanhamento médico se faz necessário, pois por meio de exames

específicos, como o papanicolau, colposcopia e coleta de material para análise,

é possível identificar a doença e propor o tratamento adequado, que pode

ocorrer com medicamentos ou mesmo cauterização das feridas. Outro ponto

importante dos exames é o controle da doença, evitando a evolução para um

câncer de colo de útero.

Vacina - A imunização é oferecida de forma gratuita na rede pública de saúde

do Brasil desde março deste ano para meninas de 11 a 13 anos. O

medicamento deve ser administrado em três doses. Atualmente, o país oferta a

segunda etapa de vacinação. A aplicação da segunda dose ocorre seis meses

após a primeira e é fundamental para garantir a imunização contra o HPV. O

reforço de dose deve acontecer em 5 anos. Em Mato Grosso, a meta é

vacinar  86.470 mil meninas.

Em todo o Brasil, o Ministério da Saúde vacinou em seis meses, 4,3 milhões de

meninas na faixa-etária preconizada, atingindo 87,3% do público-alvo - uma

das maiores coberturas para essa vacina em todo o mundo. A meta é vacinar

80% das meninas em todas as etapas.

A ginecologista explica que a escolha da faixa-etária tem como foco abranger

meninas que ainda não iniciaram a vida sexual, porém destaca que mulheres

de qualquer idade podem tomar o medicamento, como forma de minimizar o

efeito do HPV no organismo e evitar recidivas da doença.

A especialista aponta que a vacina não tem contra-indicação, exceto em caso

de pacientes que tem doenças pré-existentes. Nesses casos, é preciso verificar

com o médico. Lembra que o medicamento foi bastante testado e é utilizado

por vários países, como método de prevenir a doença e garantir saúde à

população.


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