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17/08/2015 11:46

Acalasia - Saiba mais sobre essa doença que causa dificuldades para se alimentar

 

A Acalasia, também chamada de acalásia ou aperistalse esofagiana, é o distúrbio motor do esôfago mais conhecido. Ela é causada pela destruição da inervação dos músculos que fazem a peristalse (movimentos para descer a comida pelo tubo digestório). Com isso, o paciente não consegue “descer” a comida corretamente, tendo, portanto, dificuldades para se alimentar. Além disso, há alteração da cárdia, um esfíncter que fica entre o final de nosso esôfago e o início do estômago. Ele se torna menos relaxado e mais tonificado, fechando o tubo nessa região e impedindo a passagem do alimento do esôfago para o estômago. A Acalasia costuma aparecer em pacientes entre os 20 e 40 anos, e tem uma incidência de 1 a 2 por 200.000 habitantes.

Causas da Acalasia

São várias as situações que podem levar à Acalasia. Como citei logo acima, ela é causada pela destruição dos nervos que fazer os músculos do esôfago funcionarem. O esôfago é inervado por vários nervos diferentes. Como causa da doença, pode haver degeneração do Nervo Vago (que inerva parte do esôfago), redução das células neuronais do plexo mioentérico ou alterações do núcleo motor dorsal do Nervo Vago. As causas desses problemas nervosos são várias. A mais comum delas é a idiopática (ou seja, que os cientistas e médicos não conseguiram identificar a causa exata ainda). A segunda causa mais frequente é a infecciosa, tendo como principal exemplo a Doença de Chagas, bastante comum em nosso país. Ela causa destruição do plexo mioentérico, gerando Acalasia. Outras causas incluem auto-imunidade (nossas células de defesa acabam atacando os nervos do esôfago), causa genética (por herança autossômica recessiva) e causa idiopática (ou seja, que os cientistas não conseguiram identificar ainda).

Sintomas

O sintoma mais frequente na Acalasia é a chamada disfagia, que é a dificuldade para deglutir (engolir). Normalmente no início da doença o paciente tem problemas para engolir apenas sólidos. À medida que a doença progride, começa também a dificuldade para engolir líquidos. Além disso, há dificuldade de esvaziamento do esôfago (saída do alimento do esôfago para o estômago), por conta do esfíncter da cárdia estar muito contraído. É bastante comum também o paciente ter regurgitação noturna. Outros sintomas que podem existir na Acalasia incluem a aspiração de alimento (que passa para o trato respiratório, podendo até mesmo causar bronquites), tosse, perda de peso e sialorréia (salivação excessiva). A pirose (queimação no esôfago) e dor torácica são bastante incomuns. A dor torácica é chamada de cardioespasmo (porque o esfíncter esofagiano tem o nome de cárdia), ou também dor torácica não cardíaca, porque pode ser confundida com um ataque cardíaco. Pode ser bastante forte em pacientes com Acalasia avançada.

Diagnóstico

Para detectar a Acalasia em um paciente e excluir outras doenças, temos vários exames que podem nos auxiliar. Os exames ideais para encontrar e avaliar a Acalasia atualmente são a Manometria e a Radiografia com Coluna de Bário (ou Raio-X com contraste).

Radiografia com contraste

A radiografia contrastada é feita com o paciente engolindo uma quantidade de Bário líquido e, à medida que este desce pelo esôfago, são tiradas várias radiografias. Esse exame irá mostrar um esôfago dilatado e o esôfago distal no que chamamos de “bico de pássaro”, por conta da hipertonicidade da cárdia. Vai haver ainda retardo do esvaziamento da coluna de bário, ficando o material mais tempo no esôfago. À medida que a doença evolui, também podemos encontrar o esôfago tortuoso por conta da dilatação. Confira a evolução da doença nesse tipo de exame: Já a Manometria é o exame padrão-ouro para o diagnóstico da Acalasia. Nele, é introduzido um fino tubo no esôfago do paciente, que é instruído a engolir várias vezes. Esse tubo mede a intensidade das contrações musculares do esôfago em várias alturas durante o ato de engolir. Como resultado, a Manometria na Acalasia vai mostrar um aumento da contração da cárdia e uma diminuição das contrações musculares ao longo do esôfago. Na avaliação da Acalasia, podemos usar ainda outros exames. A endoscopia digestiva alta pode ser útil para excluir alguma obstrução (corpo estranho, tumores) que possa estar impedindo o alimento de passar pelo esôfago. Porém, a endoscopia não é um exame muito ideal para detectar o megaesôfago.

 Complicações

 A Acalasia não tratada pode trazer vários problemas para o paciente. É comum haver aspiração do alimento, que vai parar no trato respiratório, podendo causar inflamação e várias doenças. Pode haver ainda a formação de divertículos esofágicos e fístulas. Ainda mais importante, estudos mostram que pacientes com Acalasia têm 33x mais chances de desenvolverem carcinoma de esôfago, se comparados com a população normal. Tratamento

O Tratamento da Acalasia pode ser feito de várias formas, em conjunto ou não.

Orientação alimentar

Os pacientes são instruídos a mudarem os hábitos alimentares, procurando sempre comer devagar, mastigar bastante, tomar bastante líquido com a alimentação e evitar comer antes de dormir. É ainda importante elevar a cabeceira da cama na hora de dormir, para a gravidade ajudar a descer a comida pelo esôfago. Evitar comer alimentos que aumentem o refluxo gastroesofágico, tais como frutas cítricas, álcool, cafeína, chocolate e outros também é importante.

Farmacoterapia

Vários medicamentos são úteis no tratamento da Acalasia, principalmente quando a doença é detectada em estágios mais precoces. São utilizados relaxantes da musculatura lisa, para diminuir a pressão da cárdia. Medicamentos como Nitratos (Dinitrato de Isossorbida) e Bloqueadores de Canal de Cálcio (Nifedipina, Diltiazem) entram nessa classe.

 Toxina Botulínica

O popular Botox pode ser usado para o tratamento da Acalasia, também para diminuir a pressão da cárdia. Porém, traz algumas desvantagens: é um procedimento de difícil execução e traz apenas uma melhora transitória nos sintomas do paciente, devendo ser aplicado várias vezes sempre que os sintomas voltarem. Melhora da Acalasia após Injeção de Botox.

Dilatação com Balão Pneumático

Esse é o atual tratamento de escolha para a Acalasia. Ele causa melhora dos sintomas em 80% dos casos. São feitas várias sessões de dilatação com um balão posicionado no esfíncter esofágico inferior (cárdia). Assim, isso diminui o tônus dos músculos da região, o que auxilia a passagem do alimento para o estômago. Dilatação com Balão Pneumático Por mais que seja o tratamento de escolha, todo procedimento tem suas desvantagens. O balão pneumático é útil apenas nos estágios menos avançados da doença e pode não trazer resultados satisfatórios em pacientes jovens. Ainda, alguns pacientes se queixam de Refluxo Gastroesofágico após o início do tratamento.

Tratamento Cirúrgico

A cirurgia para tratamento da Acalasia é chamada de Miotomia de Heller. É feita uma retirada dos músculos da cárdia, juntamente com o que chamamos de Fundoplicatura, onde parte do estômago é “amarrada” em torno do final do esôfago 


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