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Entrevistas

Rodolfo Peres - Foco no resultado

Alimentação adequada faz toda diferença

Rodolfo Peres, 33, é atua no segmento da Nutrição Esportiva, mas não se limita a um único público. Embora seja focado no acompanhamento de esportistas e atletas de diversas modalidades físicas, dispensa tempo ainda para crianças, adolescentes, obesos, gestantes, idosos. É autor de dois livros e realiza palestras no Brasil e exterior. Em uma passagem por Cuiabá, falou exclusivamente com a revista Meu Guia de Saúde.

Há quanto tempo trabalha com nutrição voltada para o esporte?

Formei-me há 12 anos, mas desde criança fui ligado ao meio de atividade física, buscando informações sobre alimentação associada ao exercício. Sempre fui um curioso. Daí chegou o momento de escolher a faculdade e decidi oficializar essa questão, já que sempre tive interesse no assunto.

Desde o princípio pensou em atuar na área de nutrição esportiva?

Sempre tive interesse em trabalhar com nutrição focada para o esporte. Mas era uma época em que não se falava sobre o assunto. Não existia nutricionista em academia, eu necessitava de um profissional me acompanhando e não tinha essa figura. Então, resolvi me tornar essa figura, tanto para sanar as minhas dúvidas, quanto para atender quem também precisava desse apoio e não encontrava.

Qual a importância da nutrição de um modo geral?

É a nossa regra básica, mas muitas vezes negligenciada. Infelizmente, a indústria alimentícia nos envenena diariamente, com ofertas de baixo valor nutricional, excesso de gordura e sódio. Por mais informações que as pessoas possam ter, nas mais diversas mídias, incluindo as especializadas, muitas vezes elas acabam se alimentando de forma completamente errada. Isso vai dificultar na conquista de um resultado adequado estético e também prejudica a saúde. Os dados que apontam a quantidade de pessoas com problemas como diabetes, hipertensão, hipercoleremia são assustadores e poderiam ser corrigidos somente com uma alimentação adequada.

E nos esportes, a nutrição adequada é importante?

A cada dia as modalidades esportivas vêm descobrindo essa nutrição específica e percebendo que não adianta o atleta ser somente esforçado. Antes, o campeão era o mais esforçado, o que treinava mais, que tinha uma boa genética, aptidão para a modalidade esportiva. Hoje é diferente. Além de tudo isso, a nutrição tem que ser muito específica e os alimentos ingeridos de acordo com o treinamento. A suplementação alimentar também é uma realidade. Não somente para os esportistas, mas para facilitar a vida das pessoas de um modo geral. Mas de nada adianta ter toda essa disponibilidade de informações, alimentos e suplementos, se não tiver o profissional orientando o atleta.

A genética pouco privilegiada pode ser amenizada com a nutrição adequada?

Ameniza e pode até superar quando trabalho é feito de forma adequada. Observamos isso no dia a dia. Muitas vezes, um atleta que não é muito bem dotado geneticamente de uma aptidão para o tipo de esporte consegue superar concorrentes com genética favorável, por meio de um esforço maior e dedicação a nutrição.

 A nutrição esportiva é feita de acordo com a modalidade praticada? Como funciona o acompanhamento?

É específico para cada pessoa e atividade desenvolvida. Um triatleta, por exemplo, que treina até 6 horas por dia, precisa de um aporte calórico muito alto. Agora se imaginarmos um fisioculturista, que tem um foco mais na beleza, o treinamento é reduzido para cerca de uma hora e, às vezes, nem ocorre todos os dias. Então, o aporte energético é completamente diferente, o suporte protéico e as características individuais também. Duas pessoas realizando a mesma atividade física também têm as suas diferenças. Cada uma tem um tipo de metabolismo, algumas contam com o metabolismo mais acelerado que as outras. O que percebo é que o excesso de informações adquiridos, muitas vezes em redes sociais, faz com que as pessoas tendem a generalizar: não pode comer lactose, não pode comer glúten, não pode comer carboidrato à noite. São conceitos sem fundamento. Não existe regra. Cada pessoa tem a sua característica. Por isso, o profissional precisa acompanhar caso a caso.

Copiar a dieta do amigo é contra-indicado?

Sim. Cada organismo funciona de uma forma e as escolhas esportivas demandam particularidades energéticas. O problema é que o nutricionista ainda hoje não tem aquele lugar implantado. Por exemplo, ninguém cuida dos dentes sozinhos. Todo mundo vai ao dentista. Mas quando o assunto é nutrição, as pessoas tentam sozinhas buscar uma melhora na alimentação, mas é um assunto extremamente complexo. Mesmo estando na área há tanto tempo vejo que sempre tenho muito para aprender diante de tanta informação que surge a cada dia. Imagina quem não se dedica somente para isso.

O foco do seu trabalho é específico para atletas, ou atende outros públicos?

Atendo públicos diversos. Quando comecei a carreira não era a minha intenção. Mas com o tempo, a procura começou a ficar muito intensa. O atleta está sendo acompanhado e vê o resultado, traz a mãe dele, ou traz a esposa que está grávida e precisa de orientação, ou o filho. Com isso, fui me especializado para atender essa demanda, que hoje gosto muito. Se pensarmos, nutrição esportiva é para todos, porque todos nós precisamos praticar exercícios físicos, independente da idade. A intensidade pode ser menor em determinado momento da vida, mas a atividade é sempre muito importante.

No caso de crianças e gestantes, que é um período mais sensível do corpo, há indicação para suplementação?

Pode existir sim. Podemos dividir os suplementos em alimentares e esportivos. Produtos como proteína em pó, carboidrato em pó e alguns tipo de gordura como o Omega 3 servem para toda nossa população. Então, uma criança que tiver uma ingestão de Omega 3 desde a idade inicial, com certeza vai ter uma melhora na questão cognitiva. Teoricamente será uma criança mais inteligente, tem estudos que comprovam isso. Em países mais desenvolvidos observamos esses suplementos específicos em forma de bala, ou os rótulos tem ursinho, super-herói, ou outros atrativos para estimular o consumo infantil dessas substâncias. A questão não é pensar em suplementos somente para atletas, mas pensar qual tipo de produtos podemos oferecer para cada público.

O que é proteína isolada do arroz?

É uma novidade do mercado. Nos anos 80 falavam muito em proteína isolada de soja e do ovo, como a própria albumina. Depois veio o consumo da proteína isolada do leite, o whey protein, que ainda é a mais popular. Várias outras ofertas foram surgindo, como a proteína da carne, da ervilha, do frango e logo vamos ver a do peixe. São vários tipos de suplementos e cada um pode ser indicado de acordo com as características de cada pessoa. Essa gama maior de produtos nos permite uma possibilidade mais ampla para desenvolvermos nosso trabalho.

O mercado de suplementos está ampliando mundialmente, ou as novidades chegam com maior freqüência no Brasil? Esse consumo ocorre de maneira adequada?

O Brasil é o segundo maior consumidor de suplementos do mundo. Claro que se compararmos com os Estados Unidos, nosso mercado é irrisório, mas o crescimento no país é muito grande. Infelizmente, aqui ocorre um crescimento desordenado. Se fossemos fazer um estudo sobre quais pessoas utilizam suplementos com acompanhamento, veríamos que uma minoria procura ajuda especializada para o consumo. Normalmente, compram porque o amigo toma, o colega falou, o professor indicou, leu em algum lugar e assim por diante. Quando o consumo é orientado, o aproveitamento é melhor.

Uma tipo de proteína  é melhor que outro?

Depende de cada pessoa. Temos o hábito de simplificar tudo. É comum entrarmos na loja e perguntar qual o melhor produto. O vendedor pode indicar do ponto de vista dele. Mas cada tipo de pessoa tem um aproveitamento diferenciado.  

Pessoas que malham sem nenhuma finalidade de competição precisam de acompanhamento de nutricionista?

Sim. E esse público é o mais difícil para trabalhar. Para o profissional é muito mais fácil tratar com um atleta olímpico, que um iniciante na academia. A pessoa que começa a malhar tem um treino submáximo, se alimenta de maneira completamente errada e quer tomar uma pílula milagrosa que não existe. Nesses casos, precisa de uma conscientização, que leva meses e até anos para que a pessoa entenda todo o processo. E qual é o processo? Primeiro, introduzir atividade física de uma maneira correta. No Brasil, academia é sinônimo de centro de convivência. Muita gente vai para conversar, bater papo, dar risada. É muito diferente de entrar em uma academia nos Estados Unidos, Alemanha e Austrália, onde as pessoas estão focadas no exercício.

Esse foco a principal mudança que precisa ser incorporada no Brasil. Academia não é local para conversar. Não adianta ficar uma hora na sala batendo papo e tomar um monte de suplemento. Não tem lógica nenhuma. Não há necessidade de suplementação para uma pessoa que vai para academia bater papo.

A suplementação sem acompanhamento pode ocasionar em problema para saúde?

Considerando os suplementos permitidos no Brasil, o problema seria mais financeiro. Jogar dinheiro fora porque não vai conseguir o objetivo usando produtos de uma forma desorientada.  As pessoas geralmente chegam na loja e perguntam o que tomo para ganhar massa muscular, ou perder gordura. E isso não existe. O que determina o resultado não é o que faz em uma semana e sim o comportamento a médio e longo prazo. É preciso todo um planejamento nutricional, de prática de exercícios.

É possível conseguir resultados desejados no ganho de massa muscular, ou perda de gordura, somente com a reeducação alimentar, sem ingestão de nenhum suplemento?

Sim, é possível. Mas esbarramos em uma questão cultural brasileira. Os nossos hábitos alimentares são péssimos, com omissão de lanches entre as refeições intermediárias. Quem acha que se alimenta bem, come uma fruta ou barrinha de cereais. O almoço e a janta são alimentações mais carregadas e o café da manha, varia em cada região. Porem em nenhuma região percebo uma alimentação balanceada no decorrer do dia.

Não existe essa questão de o almoço ser uma refeição maior que o lanche do meio da manhã. Todas as refeições são igualmente importantes. Assim, a perfeição nutricional seria o nosso almoço a cada três horas em porções menores. Mas isso não é usual. Então, fica mais prático e funcional adequar o café da manha, almoço e jantar com os alimentos. E optar pelos suplementos para o horário dos lanches. O suplemento vem para auxiliar a alimentação mais adequada e nutricional.

Cuidar da alimentação reflete em juventude?

Com certeza. Não somente com a estética, mas também em relação à disposição. É impressionante os resultados conquistados com pessoas na faixa dos 40 anos, que comem de maneira inadequada. Em alguns meses conseguimos rejuvenescer vários anos.

Tem prazo para sentir esses efeitos?

Isso depende de cada pessoa. Quanto antes melhor, mas nunca é tarde para começar a se alimentar adequadamente.

O resultado para quem malha sozinho é diferente para quem tem acompanhamento?

Sim, tem muita diferença e ainda hoje ter um acompanhamento adequado é privilégio para poucos. Muitos ainda não entenderam a importância da informação. Temos interiorizado o jeitinho brasileiro, a mania de procurar o que é mais fácil, como abrir o Instagram e ver o que os artistas estão tomando.

Existe um prazo para começar a surtir efeitos?

O comum é querer prazos. Quando perguntam ‘quanto tempo demora para perder gordura e ganhar massa’ é o mesmo que se questionar sobre quanto tempo vai ter que estudar para passar em um concurso público. Depende, pode ser um mês, uma vida e ainda tem o risco de nunca conseguir. Mas temos essa mania de nos preocupar com o produto final e não com a trajetória. 

A ingestão de um suplemento sem indicação adequada pode ocasionar em problemas ao organismo?

A diferença entre o veneno e o remédio é a dosagem. Mas com certeza uma super dose de proteína será menos danosa ao organismo que o excesso de comidas gordurosas, bolachas e similares. Avalio que antes de pensar em suplementar, a preocupação deve ser corrigir a má alimentação. Primeiro corrige o que está ingerindo e depois pensa em suplementação.

É possível mudar hábitos alimentares?

Sim, mas não é fácil porque a oferta de produtos práticos e que não fazem bem é muito grande. E isso ocorre em todos os momentos da vida, desde a infância. Seria necessário colocar nutrição na grade escolar. Existe lei que proíbe alimentos inadequados nas escolas e não ter uma oferta saudável. Tiram o refrigerante e colocam o suco de caixinha, que resulta praticamente no mesmo resultado. Não temos uma mudança de comportamento mais intenso por falta de política nesse sentido.

Você tem livros sobre o assunto?

Tenho dois livros. O ultimo é Viva em Dieta, Viva Melhor. É uma forma de buscar cada vez mais informações, uma atividade física, agregar informações para o bem estar. Quando escrevi, a ideia era abordar vários públicos, desde o profissional, ate quem não entende nada de nutrição. O título já diz a intenção, viver melhor. O foco é mudar os hábitos, não é viver em dieta, é adotar um comportamento mais saudável para a vida, não somente de maneira pontual. E penso que leitura é a forma de melhorar o conhecimento, essa é a minha contribuição. 


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